Agência absoluta que data

U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 1: Mudanças e chegadas]

2020.09.20 14:53 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 1: Mudanças e chegadas]

Olá amigos. No post anterior introduzi levemente o espírito desta série, e este é o primeiro capítulo "a sério" da série. Este capítulo versa sobre o processo de preparação para a mudança e o "primeiro embate" da chegada ao novo país; que assuntos tive que tratar imediatamente antes de me mudar, assim como assim que cheguei. Como tenho dito, esta experiência é pessoal, e é importante que entendam que não se aplicará certamente a todos. Riam-se, chorem, e deixem os vossos pensamentos na caixinha em baixo.
Ao longo do texto vão ver uns números entre parênteses rectos ([XXXX]). Isto são referências que estão por extenso perto do fim do post, na secção apropriadamente denominada "Referências".

Take-Aways Principais

Eu gosto de ter uns bullet points com as ideias principais que se devem reter de cada capítulo, uma espécie de "se não leres mais nada, lê isto" do capítulo. Os deste capítulo rezam assim:
Os detalhes estão no texto por aí abaixo.

A odisseia do trabalho científico em Portugal

Já alguma vez tiveram aquele sonho em que querem gritar e não conseguem? Aquela sensação quase infantil de impotência, do pavor da inacção e do pasmo em relação ao que quer que seja que se está a desenrolar à nossa frente? Ou aquele em que querem esmurrar alguém mas não acontece nada? A sensação de impotência é, pessoalmente, das piores que podemos ter; a de querermos fazer alguma coisa, acharmos que sabemos o que fazer e não conseguirmos.
Trabalhar no tecido académico e de micro-empresas português (vulgo technology transfer) é um bocadinho assim. Por mais que um gajo se esforce, é muito difícil escapar à subsidio-dependência, à chico-espertice, à mediocridade, à inexperiência, à falta de processo e, acima de tudo, à falta de recursos. Por bom que seja o sonho, por interessante que seja o projecto, por positivo que seja o ambiente de trabalho, por porreiros que sejam os colegas, há uma sensação latente de "isto não vai dar para construir uma carreira". Isto torna-se particularmente agudo quando se trabalha numa área de tecnologia de ponta, para a qual inevitavelmente o mercado português está pouco desenvolvido. Não havendo mercado, a empresa vira papa-projectos e passa a viver de fundos comunitários, QRENs, COMPETEs, H2020s e coisas que tal. O tempo que se devia gastar em desenvolvimento é gasto a tentar convencer revisores de projectos a darem-nos mais uma esmola, e todos os projectos são uma corrida ao fundo: como é que conseguimos fazer esta omelete bonita com muito poucos ovos? Será que precisamos mesmo de duas pessoas para fazer isto, não dará só uma? Certamente o equipamento X também dá para este projecto.
Um aspecto particularmente doloroso neste ambiente é a altíssima rotatividade dos colegas. Quando se trabalha nestas condições tende-se a depender de recursos precários: bolseiros de investigação, estágios IEFP, estágios profissionais, estágios académicos, e por aí fora. Isto torna imediatamente impossível treinar alguém para fazer alguma coisa de jeito, e dei por mim a ensinar 3 ou 4 pessoas a fazer a mesma coisa em ocasiões diferentes ao longo dos anos. Nunca ninguém fica e toda a gente parte para outra, seja porque a empresa não lhes pode pagar, ou porque são incompetentes demais para nos darmos ao trabalho de lhes tentar arranjar financiamento. As caras e os nomes confundem-se numa espécie de groundhog day tecnológico em que cada ano que passa temos as mesmas conversas. Um tipo que vá ficando, ora porque é bom ou porque é teimoso, vai dando por si a avançar na idade ao mesmo tempo que os colegas não. A certo ponto, todos os meus colegas eram pelo menos uns 4 ou 5 anos mais novos que eu; ora se até eu quase nem tinha barba (hipérbole), então eles estavam mais verdes que as bananas da Costa Rica quando chegam ao Continente.
Quando me perguntam porque é que os portugueses têm tendência a se dar bem lá fora, aponto-os sempre para as condições em que somos habituados a fazer trabalho world-class. As publicações a que submetemos artigos não querem saber das nossas dificuldades; querem papers de qualidade. As agências de financiamento não querem saber de rotatividade, querem saber de know-how, track record e orçamentos. O trabalho que temos que entregar para sobreviver tem que ser de topo, ao mesmo tempo que as condições são de fundo. Pega-se num tipo habituado a isto, senta-lo numa cadeira de 300€, dá-se-lhe 3 monitores e um portátil que dava para comprar um carro, e é natural que o desempenho seja incrível.
Eu não me considero um perfeccionista (e acho que quem se considera perfeccionista pensa demais de si próprio) mas procuro estar numa constante curva ascendente no que toca à qualidade do meu trabalho. Umas vezes a curva é mais inclinada, outras vezes é menos inclinada, mas a cada dia estar um bocadinho melhor que no dia anterior. Aliás, quem me conhece sabe que esse é um traço que aplico em quase tudo: no trabalho, na vida, no desporto, etc. Antes de me mudar sentia que tinha batido no tecto da qualidade do que podia entregar. O meu esforço era máximo e o factor limitador da qualidade da entrega era a forma como o trabalho que eu tinha para fazer era entregue. Não havia tempo suficiente para inovação, era preciso planear de forma irrealista (e entregar de forma irrealista) para se conseguir fazer o malabarismo de todos os projectos. A constante mudança de contexto comia horas todos os dias.
A ética de trabalho portuguesa é, geralmente, horrível. Se eu trabalhei as minhas 8h, entreguei o que tinha para entregar e não tenho horário de trabalho, então vou sair às 16h. Ou chegar às 10h. Geralmente, fazer menos que 9-19 é mal visto, e eu fui sempre muito vocal (se calhar de forma prejudicial para mim próprio) acerca do quão estúpido isso me parece. Cheguei a ouvir algo semelhante a "tu és daqueles gajos que vão de férias desaparecem do mapa". Não é esse o objectivo das férias?

Um dia destes decidi mudar-me para o UK

Então um dia desatei a mandar CVs por esse mundo fora, a ver o que colava. Inevitavelmente, apareceram-me várias ofertas interessantes, a melhor das quais no UK. Contas feitas, a oferta praticamente multiplicou o meu salário bruto por 5 (talvez um bocadinho mais), empurrando-me de um salário mediano em Portugal para um salário bastante acima da média no UK. Esta é daquelas particularidades a que me refiro quando digo que a minha experiência é extremamente pessoal: eu tive a sorte de gostar e ter talento para trabalhar nesta área, e a dupla sorte de ser uma área em que simultaneamente há muita oferta e pouca procura de trabalho. Meio ao calhas cultivei um skillset muito valioso, ou que consegui vender bem. Infelizmente, para manter esta conta dissociada da minha identidade não vos posso especificar qual é; somos poucos, tornava-se muito fácil encontrar-me pelas publicações.
Curiosamente, está agora (à data da escrita) a fazer um ano que me decidi mudar. Nessa altura, a maior preocupação de quem se mudava para o UK era o Brexit, mas houve uma série de factores que me acalmaram:
Acerca deste último: ser estrangeiro no UK ou ser em qualquer outra parte é, para mim, semelhante. Então, se o Brexit por alguma razão resultasse numa perseguição aos estrangeiros, ou numa forte desvalorização da libra, etc, a minha situação ainda assim seria melhor que antes. Teria um CV mais rico, experiência adicional na indústria, e dinheiro no banco, tudo factores que facilitariam a mudança para um país terceiro.
Portanto com os factores políticos resolvidos por ora, e com a família a apoiar, lá me decidi.
Lá vim eu.

Preparação

A preparação para a mudança dividiu-se em:
Para benefício máximo meu e das duas empresas envolvidas, decidi reservar apenas umas 3 semanas sem trabalhar para tratar de tudo. Arrependi-me profundamente: devia ter fodido uma das empresas (a velha, potencialmente) e tido mais tempo para mim e para os meus. Naturalmente, houve muito que pude fazer enquanto trabalhava, como tratar da documentação. A logística foi um pesadelo; tive que esvaziar o apartamento em 2 dias e encontrar forma de arrumar tudo o que tinha na minha casa de família. Uma boa parte ficou por fazer pois queria passar tempo com a família em vez de arrumar merda. Tive que denunciar o contrato de arrendamento, da energia, da água e das telecomunicações. Obviamente, a Vodafone foi a mais merdosa no meio disto tudo, primeiro porque queriam que pagasse a fidelização (tive que demonstrar que vinha para o estrangeiro), e depois porque queriam cobrar o equipamento apesar de o ter entregue a horas e em boas condições. Típica escumalhice de telecom portuguesa, nada de novo.
A preparação legal foi mais cuidada. Para referência, a documentação que preparei foi:
Também nomeei (por procuração) um representante legal em Portugal. Inicialmente pareceu-me overkill, e apenas o recomendaria se tiverem alguém que seja de muita, muita confiança. Mas para mim tem sido muito útil, pois essa pessoa pode-me substituir em qualquer todos os compromissos, requerer a emissão de documentação em meu nome, transaccionar os meus bens (tipo vender o carro velho) e negociar em meu nome com as telecoms quando se armam em parvas (ver Vodafone acima). A pessoa que ficou com esta responsabilidade é da minha absoluta confiança, mas mesmo assim é um compromisso que deve ser mantido debaixo de olho e apenas pelo tempo necessário.
Às tantas perguntei-me "sua besta, já pensaste em quanto dinheiro vais gastar?" Bom, através de uma combinação de salário baixo e escolhas financeiras pouco saudáveis (que reconheço mas não quero detalhar), as minhas poupanças resumiam-se a uns míseros 2000€. Amigos, 2000€ não é dinheiro nenhum. Precisava de mais. Pelas minhas contas, e porque não vinha sozinho, precisaria de cerca de 15000€ para fazer isto com algum descanso, ainda que não conforto.
Lembram-se de quando tivemos uma crise "once in a lifetime" em 2008? Aquela da qual vamos ter saudades agora em 2021? Essa mesmo. Uma consequência engraçada dessa crise foi que as pessoas se habituaram a fazer crédito ao consumo, e os bancos habituaram-se a emprestar dinheiro como quem dá cá aquela palha, já que o Estado depois os resgata e ninguém vai preso. Como sempre trabalhei, paguei os meus impostos e nunca tive dívidas, pude pedir um crédito pessoal para pagar a mudança inicial. 15k no banco, check.
Obviamente não o gastei todo, e a empresa para onde fui trabalhar devolveu-me uma esmagadora parte do que gastei através de um fundo de "relocation expenses". A empresa pagou (mas eu tive que adiantar):
Em cima disso, paguei eu:
Admito que fiz algumas escolhas controversas, e houve muito dinheiro perdido em conversão de moeda. Podia ter ficado fora da cidade enquanto procurava apartamento, podia ter comprado mobília mais barata, podia ter dormido no chão, podia ter comprado malas mais baratas, podia ter andado de comboio em vez de alugar carros quando precisei. Mudei-me de uma forma que considero "medianamente confortável": não o fiz luxuosamente, mas dei-me ao luxo de trazer a Maria, de não ter que partilhar casa e de evitar largamente transportes públicos. Com o dinheiro que a empresa me devolveu constituí um fundo de emergência. Não liquidei logo a dívida porque entendo que é mais importante ter um fundo de emergência do que estar debt-free (mais sobre isso daqui a um post ou dois).
São escolhas. Emigrar é caro, amigos. Conheço quem o tenha feito com 200€ no bolso, mas não é confortável e não quero isso para mim.
Praticamente foi tudo pago através do Revolut. Criei uma conta pouco antes de vir, comprei o premium para não ter limites de conversões, e usei. Inclusivamente recebi lá o primeiro salário enquanto não criei a conta no banco.
A preparação emocional foi a menos complicada. O meu núcleo duro é relativamente pequeno, e toda a gente estava preparada há muito tempo para que eu "fugisse"; era conhecido praticamente desde que tinha começado o PhD que a minha área não era viável em Portugal, e que estava revoltado com a ética de trabalho merdosa. Naturalmente a minha mãe não gostou da ideia, mas são coisas da vida. Ainda assim, um conselho: não se armem em fortes e não descuidem a preparação psicológica/emocional que é necessária para este tipo de viagem. Eu sei que pessoas diferentes têm níveis de resiliência diferentes, mas o português tem muito a mania de achar que é o maior; cuidado com isso. Além disso, não deixem que estas preparações vos tomem todo o tempo que têm; guardem tempo para estar com a família, para lazer, e para descansar. Eu deixei-me consumir um pouco e não foi bom.

Como não ser sem-abrigo

Aterrei em meados de Setembro num dia nublado com duas malas de 30kg, uma mochila para mim e outra para a Maria, e a convicta certeza de que me estava a foder. Tinha cerca de 2.5 semanas até começar a trabalhar, e até lá a missão era só uma: encontrar um apartamento. Há muito para dizer acerca da habitação no UK, vou escrever um post só para isso e por isso aqui vou focar apenas na experiência do recém-chegado.
Eu decidi que não estava disposto a arrendar pelo privado; iria sempre através de uma agência imobiliária. Como não tinha tanta familiaridade com o mercado nem com a legislação, achei que seria mais seguro ir por essa via mais cara e minimizar a possibilidade de ser ludibriado. Recomendo vivamente. Então comecei a encetar contactos por telefone para marcar visitas a apartamentos.
E aí bateu-me.
Eu não conseguia perceber nada do que estes caralhos diziam ao telefone. NADA. "Ahka hrask apfiasdafsd duja sudn" diziam eles, e eu "sorry, I have a really bad connection, could you repeat that?" e eles lá repetiam mais calmamente "G'mornin, how can I help you today?". Muita vez disse eu que tinha pouca rede, a ver se eles abrandavam um bocadinho. E funciona! Top tip: se estiverem a tentar perceber o que eles dizem por telefone, queixem-se da ligação; o serviço móvel no UK é tão mau que eles vão na conversa.
Agora, eu sei falar inglês, ok? Naveguei perfeitamente bem as entrevistas, tenho dúzias de publicações em inglês "impecável", e trabalho em inglês há anos e anos. O problema é o seguinte: falar inglês enquanto se trabalha e escrever coisas em inglês são ambos experiências muito diferentes da de tentar falar com um nativo com sotaque, que assume maneirismos e expressões que não conhecemos, sobre locais que não conhecemos e dentro de um sistema (de arrendamento) que não conhecemos, tudo isto por telefone e sem poder ler nos lábios nem ler expressões corporais.
Com algum desenrascanço tipicamente português fui enchendo os dias de visitas a apartamentos na zona. Num dos dias aluguei um carro para ir ver apartamentos numa cidade vizinha (onde até acabei por ficar), algo que recomendo vivamente. Durante essas semanas vimos facilmente uns 25 apartamentos, talvez mais. As primeiras impressões foram:
(Um aparte acerca da alcatifa: se tiverem uma casa toda alcatifada comprem um robot aspirador de qualidade e aspirem todos os dias, até mais do que uma vez. A vossa qualidade de vida vai aumentar 1000 vezes.)
Escolhido o apartamento, fizemos uma oferta/candidatura. Oferecemos o valor que o senhorio pedia e, já tendo falado com muitos agentes, ofereci-me para pagar o contrato inteiro de 6 meses no dia da entrada. O que se seguiu foi um processo que, para mim, era completamente estrangeiro: o de "referencing" do potencial arrendatário. Pediram-me as moradas anteriores até 3 anos e os contactos dos senhorios, assim como a minha morada de família permanente e (muitos) dados pessoais. Essa informação foi usada para verificar que eu não era um impostor, e para verificar que tinha o hábito de pagar a renda. Ligaram para a minha antiga senhoria portuguesa, uma senhora de 82 anos, a perguntar se eu pagava a renda. Por mero acaso ela fala inglês (foi investigadora) e soube-lhes dar resposta, mas achei a atitude absolutamente desnecessária. Lembro-me de me sentir ofendido; "mas estes filhos da puta acham que pagar 6 meses à cabeça não chega?"
Seguiu-se um contrato de arrendamento para uma Assured Shorthold Tenancy [1], que é a modalidade "normal" de arrendamento para habitação por aqui. O agente imobiliário tratou de toda a papelada, mas eu tirei um dia para ler todo o contrato e verificar se batia certo com o que conhecia da lei daqui, o que recomendo vivamente. Atenção que a partir de meados de 2019 as taxas cobradas pelos agentes imobiliários passaram a ser limitadas por lei [2], por isso se vos pedirem alguma taxa administrativa mandem-nos sugar no pénis mais próximo. Na altura disseram-me que o normal, antes dessa mudança, seria o arrendatário pagar uma taxa de 700 libras à imobiliária pelo serviço. Era matá-los.
Assinado o contrato, ficou fixada uma data para entrada no apartamento. O valor a pagar é esperado nesta altura, no momento imediatamente precedente à entrega das chaves, o que significa que é preciso ter esse dinheiro disponível num cartão aceite pela imobiliária. Obviamente que é possível pagar por transferência, mas isso pode atrasar a data de entrada, e eu estava a pagar hotel por isso tinha interesse em me despachar.
Este processo foi, para mim, extremamente stressante. Até ao momento em que temos a chave na mão, o nível de incerteza é altíssimo: vou precisar de estender a estadia no hotel? Vou ter dinheiro que chegue caso o senhorio recuse o arrendamento? Será que vou ter que procurar noutra zona? Será que vou conseguir fazer isso enquanto trabalho? Para mim, encontrar a primeira casa foi facilmente a parte enervante da mudança. Agora já tenho uma posição muito mais sólida: conheço a zona, conheço o mercado, tenho um pé de meia e transporte próprio. O início custa muito mais.

Burocracias adicionais a tratar no início

Além da casa, que era a minha primeira preocupação, há um outro conjunto de coisas que têm que ser tratadas quanto antes:

Referências

[1] https://england.shelter.org.uk/housing_advice/private_renting/assured_shorthold_tenancies_with_private_landlords [2] https://www.gov.uk/government/collections/tenant-fees-act [3] https://www.gov.uk/council-tax [4] https://www.gov.uk/tax-codes [5] https://www.gov.uk/income-tax/how-you-pay-income-tax

Capítulos Anteriores

O próximo capítulo deve ser mais sobre habitação ou sobre compramanter carro e conduzir. Depende de qual o capítulo que acabar por ficar pronto mais cedo. Às tantas calha ser outro qualquer ¯\_(ツ)_/¯
Se este post gerar uma resposta tão forte como os outros, é possível que eu não consiga responder a todos os comments. Se for esse o caso, peço desculpa; vou dar o meu melhor.
No outro post alguém (um mod?) colocou o flair "Conteúdo Original". Não encontrei esse por isso pus "discussão".
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.
submitted by UninformedImmigrant to portugal [link] [comments]


2014.03.14 19:16 Filipehdbr Sistema de pagamento bizarro e sombrio sendo disseminado mundialmente

São Paulo, 14 fevereiro de 2014.
Os governos mundiais anunciaram hoje um plano para permitir que cidadãos, anomimamente, transportem parte de suas riquezas consigo e realizem trocas com outros usando pequenos pedaços coloridos de papel, impressos com imagens maçônicas e nacionalistas, assim como também números que, propositalmente, representam o seu valor(isso se o papel não for falso!). Esses pedaços de papel são formalmente uma "nota" emitida do banco central de cada nação, mas eles também são chamados de "espécie" por muitos - esta é uma questão técnica que é muito complexa para cobrir neste artigo; Não obstante, essa é uma representação da complexidade e difícil forma de uso desse novo sistema.
"Notas de dinheiro" - Um sistema complexo
Esses pedaços de papeis(também conhecidos como "notas", "bufunfa", "cash", "dinheiro vivo" em sua comunidade sombria, anti-banqueira e libertariana, que têm sidos os primeiros usuários até então) vão diferir de nação para nação e não possuem liquidez fora das fronteiras de cada país.
O que será uma grande surpresa para gerações que cresceram com calculadoras e computadores, "notas de dinheiro" são emitidas com valores específicos prédeterminados, exigindo seus usuários a manter uma grande quantidade desses papéis que precisam ser somados para executar uma transação e então feitos outros cálculos para "dar um troco", um processo complexo de devolver ao pagador o excesso de pagamento usando outras notas. (Não se preocupe se isso parece difícil de entender, nós mesmos tivemos problemas em entender no início e certamente este método não está pronto para um consumidor em sua forma atual.)
José João, responsável pelo treinamento de funcionários na casas bahia, disse: "Eu mal consigo imaginar treinando dezenas de milhares de funcionários para usar "notas de dinheiro", verificar sua autenticidade e aprender a "dar troco" sem cometer erros. Isso irá requerer uma instalação em massa de máquinas de dar troco - as tão chamadas "caixas registradoras" - e milhões de reais em treinamento de funcionários, enquanto longas filas demoradas de consumidores serão criadas. Além disso, teríamos que adotar procedimentos de segurança e guardas armados para evitar o roubo dessas notas físicas enquanto estiverem guardadas conosco ou durante o transporte até o banco. Não conseguimos enxergar a adoção dessas notas em nossas lojas nessas condições".
Perfeita para criminosos
O lançamento de "notas de dinheiro" provocou uma reação mundial imediata de agências reguladoras, que, unânimemente, condenaram seu desenvolvimento.
"Dinheiro é 100% anônimi e é uma tecnologia de pagamento irrastreável. É como uma arma de destruição em massa lançada contra as leis,", disse João José, um delegado da polícia federal. "É um mecanismo de pagamento perfeito para criminosos, cartéis de drogas, terroristas, círculos de prostituição e lavadores de dinheiro. Nós não sabemos como será possível combater tal tecnologia e temos a plena expectativa de que uma nova geração de super-criminosos apareça, trabalhando nas sombras de mundo em que eles podem conduzir suas atividades ilícitas sem deixar qualquer tipo de rastro."
O superintendente de um banco, João José, tinha o seguinte a dizer: "Eu não consigo pensar em qualquer razão para que um cidadão correto queira usar dinheiro. De forma básica, acreditamos que deva haver um procedimento de licenciamento para pessoas e empresas que planejem usar dinheiro, algo como uma "licença-dinheiro". Esta licença irá limitar "dinheiro" para pessoas confiáveis que mantém registros detalhados e auditáveis de suas transações em dinheiro, para que possamos manter o estado de são paulo longe de criminosos."
Outros possuem preocupações em relação a notas forjadas. "No fim das contas, mesmo com impressoras modernas, dinheiro é apenas um pedaço de papel. Nós tememos que grupos criminosos e nações inescrupulosas imprimam dinheiro falso para que possam lucrar ou mesmo prejudicar as economias de seus inimigos," disse João José, um analista de mercado. "Neste interim, estamos certos de que dinheiro vai operar com valores em desconto no mundo real, dado o risco que uma parte tem de aceitar um dinheiro falso; sem dúvida dinheiro é um grande retrocesso no atual sistema financeiro baseado em criptografia."
Sem proteção ao consumidor
Embora difícil de imaginar, dinheiro funciona sem absoluta proteção ao consumidor. Se suas "notas" forem roubadas ou perdidas, elas assim estarão para sempre.
"Eu simplesmente não entendo porque não existe ninguém que eu possa ligar para reembolsar meu dinheiro se eu o perder," disse José João, um empresário do Rio de Janeiro. "Que tipo idiota de sistema de valores e pagamento não mantém registros de transação e propriedade?"
Ainda mais, parece não haver mecanismos de autenticação associado com pagamentos ou transferências em dinheiro, muito menos que acompanhe os modernos padrões de segurança. Uma vez que alguém obtém o controle de suas "notas", está livre para gastar ou usar como quiser, e não há como reverter, suspender ou mesmo identificar a transação ou quem as roubou.
Mesmo a destruição de notas, que, como você deve lembrar, são apenas pedaços de papel, poderia resultar em perdas. De acordo com o diretor da recentemente criada "Casa da Moeda", notas danificadas em mais de 51% devem ser enviadas para uma investigação especial que irá determinar se elas poderão ser, ou não, reembolsadas.
Falhas de segurança descoberta em "Carteiras físicas"
Propositores do dinheiro desmentiram estas preocupações dizendo que diversos fabricantes de carteiras, como "Coach", "Gucci" vão anunciar em breve "carteiras físicas" em couro e camurça. Estas carteiras são feitas para guardar as notas, de forma que caibam em uma bolsa ou um bolso de roupa.
"Uma vez que suas notas estão seguramente escondidas em sua carteira Gucci, e guardada em seu bolso de calça[o bolso da frente é recomendado como 'boa prática' de segurança], é quase impossível que elas sejam roubadas, perdidas ou destruídas", disse José João, responsável pela comunicação da Gucci LTDA.
Mas algumas pessoas que adotaram o dinheiro em seu início reportaram que essas carteiras físicas possuem falhas de segurança. "Eu estava em um bar em Belo Horizonte duas semanas atrás e esqueci minha carteira Gucci lá", disse José João, um turista. "Quando retornei na manhã seguinte, minha carteira estava lá mas meu dinheiro tinha ido embora!". Nós entramos em contato com a Gucci a respeito desta tentativa de hacking, mas preferiram não comentar "sobre matérias de cunho confidencial de consumidores."
Até mesmo criminosos não estão imunes aos riscos do dinheiro. O notório lugar "MercadoLivre" de drogas, onde vendedores e consumidores deixam envelopes de dinheiro (nos quais eles claramente escrevem seus nomes) na caixa de correio do lugar que gerenciava as transações, misteriosamente fechou na semana passada, citando 'roubo do dinheiro devido a um bug no processo de selamento dos envelopes'. Enquanto especialistas técnicos acreditam que seja possível que a cola no envelope não estivesse corretamente aplicada, eles também alertaram que uma "nota" é basicamente uma chave pública e privada ao mesmo tempo, e assinalaram que pode haver risco em deixar criminosos anônimos manter a chave privada de seus valores.
Requer presença física
No que parece ser a limitação mais estranha do dinheiro, ele só funciona para pagamentos entre 90 centímetros ou menos, e deve ser manuseado de um humano para outro para executar a transação.
Esse requisito é amplamente discutido como vulnerabilidade fatal para tradicionalistas.
José João, gerente de uma agência do Bradesco, disse: "Uma forma de pagamento que não pode ser usada a distância, não pode ser usada para e-commerce, não pode ser usada em dispositivos móveis, não pode ser usada em transações baseadas em computdores, não pode ser programada, não pode ser pensada como um sistema de pagamento. Eu admito, como forma de expressão de arte, transações em dinheiro é um experimento divertido, mas não tem aplicação no mundo real de banco, finanças ou comércio.
Ainda mais, dada a associação de dinheiro com atividades criminais, nós estamos recusando ofertar serviços bancários e fechando contas de clientes que usam 'dinheiro', seja pessoa física ou jurídica. É a única forma que temos de assegurar que estamos seguindo nossas obrigações legais e regulatórias."
Reconhecidamente, se você tentar usar dinheiro em um país diferente do que foi emitido, ele será categoricamente recusado. Para que isso seja possível, você terá que ir em pontos pré-determinados, normalmente em aeroportos ou certos bancos, com horário de abertura limitado, que irá "trocar" suas notas pelas notas do país que você está visitando. Essas transações possuem altas taxas - normalmente 2-3% - para cada transação, significando que cada turista irá perder 5% ou mais de seu dinheiro em uma viagem típica apenas em custos de "troca', o que parece ser extraordinariamente alto para isso. Um cálculo complicado de multiplicação ou divisão.
Um passo para trás para economia
Economistas estão boquiabertos com legisladores que estão apoiando a adoção do dinheiro, apesar de suas fortes objeções. Uma ferramenta de política chave de Bancos Centrais tem sido o uso de taxas de juros positivas e negativas para gerenciar o crescimento econômico. Parece que isso não será possível com o dinheiro.
José João, um renomado jornalista para Folha de São Paulo, disse: "Este é um dia triste para a macro-economia. Se o dinheiro decolar de qualquer forma, ele reduzirá nosso controle sobre as alavancas da economia significativamente, fornecendo um mecanismo para depositantes a optar por sair de taxas de juros negativas. Dado o fato de que ele pode nos impedir de prevenir a próxima depressão e vai certamente reduzir a arrecadação de impostos, pode-se até considerá-lo diabólico."
Meio ambiente e impactos na saúde
Os ambientalistas expressaram preocupações sobre o impacto do dinheiro sobre o meio ambiente. "Você imagina que, em 2014, teríamos nos livrado de pesticidas e irrigação intensiva de algodão [leia-se: corte de árvores]. Agora teremos que tratar o algodão com tintas perigosas e transportá-lo com combustíveis fósseis, apenas para representar um valor como "20", que poderia ser representado eletronicamente sem, efetivamente, nenhum custo. Quando vamos aprender? ", Disse José João, recentemente nomeado diretor executivo do Clube Sierra.
Autoridades de saúde pública também advertiram que o dinheiro poderia ser um excelente vetor de transmissão de doenças. "Testamos várias 'notas' em nossos laboratórios recentemente e descobrimos que, em média, tem 20 vezes mais bactérias do que um assento sanitário", disse José João, vice-presidente de Pesquisa do hospital Albert Einstein. "Nosso conselho é que as pessoas devem evitar o dinheiro, em geral, e só lidar com isso se for absolutamente necessário. As crianças, os idosos e imunocomprometidos não devem manusear dinheiro em qualquer circunstância."
O que vem em seguida?
Os defensores do 'dinheiro' acham que ele acabará por ser uma tecnologia amplamente adotada que vai se espalhar por todo o mundo, permitindo que transações pessoais de médio porte (não micro-pagamentos, mas não mega-pagamentos também) de uma forma que é invulnerável a interrupções elétricas ou de internet e que dará início a uma nova era de comércio mais "humano".

Nós tentamos manter uma mente aberta nesta publicação para novas tecnologias, mas, até à data, temos dificuldade em ver o dinheiro de forma positiva. Certamente grupos criminosos vão aproveitar o anonimato perfeito do dinheiro para causar estragos na aplicação da lei e arrecadação de impostos, algo que é profundamente indesejável. Entre os cidadãos cumpridores da lei, podemos imaginar uma possível adoção em comunidades modernas densas, como Moema, onde 'carteiras', 'dinheiro' e 'dar troco' poderia ser mais um reflexo do seu ponto de vista de sistemas sociais modernos.
Fora isso, seria difícil recomendar que o consumidor ou comerciante médio torne-se envolvido no que é ainda hoje um sistema muito bugado, cheio de riscos, inconveniente, com altos custos de transação, além de ser possível transmissão de doenças. Mesmo se tratado perfeitamente, o dinheiro certamente irá manchar o seu negócio e vida pessoal com a reputação decadente dos traficantes de drogas, terroristas, lavadores de dinheiro e anarquistas que o usam hoje, ameaçando negócios e relacionamentos bancários e levantando as sobrancelhas de agências reguladoras sob sua comunidade.
Traduzido de http://ledracapital.com/blog/2014/2/17/bitcoin-series-19-bizarre-shadowy-paper-based-payment-system-being-rolled-out-worldwide
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